Nesta segunda-feira (27), a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedest) realizou uma palestra sobre a empregabilidade da pessoa com espectro autista (TEA) como forma de incentivar o acesso às oportunidades no mercado de trabalho. O evento ocorreu no Sistema Nacional de Emprego de João Pessoa (Sine-JP), em alusão à campanha ‘Abril Azul’.

O secretário executivo de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedest), João Bosco, afirmou a importância de promover esse diálogo sobre as pessoas com TEA. “Nosso objetivo é fazer com que a sociedade esteja mais preparada para esse processo de inclusão no mercado de trabalho, como parte desta gestão que realizamos de forma cada vez mais humana, atendendo aos anseios do nosso prefeito Leo Bezerra”.






A primeira-dama do Município, Bruna Nóbrega, esteve presente no evento devido ao interesse e relevância do tema. “Esta é uma temática que enche meus olhos. Na escola dos meus filhos, por exemplo, há muitas crianças autistas e percebo que a relação com os amigos é natural e sem preconceitos. Então, é importante expandir essa compreensão para o mercado de trabalho, de modo que todas as pessoas tenham espaço para mostrar suas habilidades e consigam transformar sua vida de forma positiva”, apontou.





A estudante de Psicologia Ana Beatriz Medeiros tem diagnóstico de TEA e estagia justamente auxiliando pessoas na mesma situação que ela. “No meu primeiro estágio, eu não fui muito bem assistida. Eu tenho dificuldade com relação a barulho, mas não recebi muito suporte com relação a isso. Também não havia um bom acompanhamento das tarefas. Mas agora é diferente, estou em um local em que tenho abertura para opinar”, contou a estudante, que aborda em seu trabalho de conclusão de curso a empregabilidade das pessoas com TEA.
Inserção – O palestrante do evento foi o escritor Leonardo Fleming, que é escritor e policial militar reformado. Com diagnóstico de neurodivergência – TEA, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Dislexia e Discalculia – já adulto, ele contou um pouco de suas vivências e dificuldades.
“A empregabilidade é um fator importantíssimo porque trabalha a independência e a autoestima do indivíduo. A gente debate que tem capacidade de fazer qualquer trabalho nos mais diversos segmentos, no entanto, ainda falta empatia, e essa palestra é sobre aprendizagem, ensinamento e empatia. Com o trabalho necessário, é possível haver a inserção no mercado de trabalho”, indicou.
A coordenadora do Sine-JP, Rebeca Sodré, destacou a importância da capacitação para facilitar o ingresso no mercado de trabalho, conforme as habilidades de cada pessoa com TEA. “É importante que estejamos unidos para fazer essa inclusão de forma responsável, trazendo quem vivencia o TEA e enfrenta situações do cotidiano”, disse ela.


Depoimento – O secretário executivo de Integridade, Governança e Prevenção à Corrupção (SEIG), Kleber Marques, deu seu depoimento como pessoa com TEA suporte 1. Ele relatou que teve dificuldades para conseguir emprego por conta de suas restrições e, mesmo após a aprovação em concurso público federal, não tinha o ambiente de trabalho respeitado, o que dificultava a realização das tarefas.
“Quando a pessoa com TEA tem o ambiente propício, consegue produzir e fazer a diferença no mercado de trabalho, desenvolvendo até altas habilidades. Conseguimos ter produtividade até melhor do que uma pessoa que não tem TEA. Se o fator limitante for suprido, nosso limite é o céu”, ressaltou o gestor.
O apoio da Prefeitura às pessoas com TEA começa bem mais cedo, com as crianças da rede municipal de ensino. A psicopedagoga Lisanca Oliveira, que trabalha na Sala de Recurso da Escola Monteiro Lobato, destacou o pioneirismo da cidade de João Pessoa na questão de atendimento educacional especializado.
“A Prefeitura tem mais de 120 escolas com um apoio que inclui cuidadores para os estudantes com diagnóstico de TEA, Sala de Recurso para atendê-los e professores especializados. Nós, psicopedagogos, orientamos professores a desenvolver as atividades e também fazemos um trabalho com os cuidadores e com a família das crianças, para termos informações sobre a vida diária, em busca de integração”, explicou.
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